Desmundo
A discussão sobre o filme deve partir do título. Desmundo é a justaposição do prefixo des com o vocábulo mundo. Des é um prefixo de negação e também pode significar ação contrária. Mundo é um substantivo masculino comum e significa Terra, globo terrestre, os seres que habitam a Terra, classe social, a vida no século, na sociedade. Então, Desmundo significa a negação, o avesso do mundo representado no filme por uma paisagem inóspita e rústica com pessoas rudes falando um português arcaico. Esta vida rude dos primeiros colonizadores causa uma estranheza em quem está assistindo o filme. Leia mais sobre o prefixo des…
Desmundo é um épico que discuti aspectos da colonização brasileira, é um retrato rústico dos primeiros anos do Descobrimento do Brasil. As origens do Brasil e da língua portuguesa, o nascimento de uma nação não são os únicos temas abordados. O filme apresenta uma história de amor e luta pela liberdade. Ele foi inspirado no romance homônimo de Ana Miranda, dirigido por Alain Fresnot. O roteiro é de Sabina Anzuategui, Anna Muylaert e do próprio diretor. A direção de fotografia é de Pedro Farkas, a trilha sonora, de John Neschlinge a edição e distribuição é da Columbia Pictures do Brasil. Leia mais sobre português arcaico…
Desmundo conta a chegada ao Brasil, em 1570, de um grupo de jovens órfãs mandadas para a colônia para se casar com portugueses e impedir a miscigenação. As jovens foram enviadas pela rainha de Portugal, com o objetivo de desposarem os primeiros colonizadores. Uma delas, Oribela (Simone Spoladore), é uma jovem sensível e religiosa que, após ofender de forma bem grosseira Afonso Soares D’Aragão (Cacá Rosset) se vê obrigada a casar com Francisco de Albuquerque (Osmar Prado). Sentindo-se infeliz, ela tenta fugir, pois quer pegar um navio e voltar a Portugal, mas acaba sendo capturada por Francisco. Como castigo, Oribela fica acorrentada em um pequeno galpão. Quando ela sai do seu cativeiro continua determinada a fugir, até que numa noite ela se disfarça de homem e segue para a vila, pedindo ajuda a Ximeno Dias (Caco Ciocler), um português que também morava na região.
Segundo Rosane Pavam, Revista de Cinema, Livro e filme são essencialmente diferentes, embora, em muitos sentidos, se aproximem e se façam jus. O “Desmundo” de Ana Miranda não quis ser completo geograficamente, não desejou a globalidade histórica, o risco antropológico,
, as teias do poder eclesiástico, ao contrário do que faz o filme. No livro, a vida de Oribela, uma órfã portuguesa de 13 anos aqui trazida, com outras seis, para se casar com colonos e assim garantir a pureza racial dos descendentes de portugueses, era uma aventura da intimidade, do horror e da esperança diante dos novos pagãos. No filme de Fresnot, Oribela, a Mulher, divide seu estrelato de dores com a Terra brasileira e presencia a luta por conquistá-la e rendê-la.
Ficha Técnica
Título Original: Desmundo
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 100 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2003
Estúdio: Columbia Pictures do Brasil
Distribuição: Columbia Pictures do Brasil
Direção: Alain Fresnot
Roteiro: Sabina Anzuategui e Alain Fresnot, baseado em livro de Ana Miranda
Produção: Van Fresnot
Música: John Neschling
Fotografia: Pedro Farkas
Desenho de Produção: Ivan Teixeira
Direção de Arte: Adrian Cooper e Chico Andrade
Figurino: Marjorie Gueller
Edição: Júnior Carone, Mayalu Oliveira e Alain Fresnot
Elenco
Simone Spoladore (Oribela)
Berta Zemei (Dona Branca)
Beatriz Segall (Dona Brites)
José Eduardo (Governador)
Débora Olivieri (Maria)
José Rubens Chachá (João Couto)
Cacá Rosset (Afonso Soares D’Aragão)
Giovanna Borghi (Bernardinha)
Laís Marques (Giralda)
Arrigo Barnabé (Músico)
Imagem: Autor Desconhecido
Updated: 11/04/2009
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